Ataques dos EUA na Venezuela e o cenário político no país após a captura de Nicolás Maduro

       Foto: REUTERS: Leonardo Fernandez Viloria

No dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e outras regiões do país. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a ação resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que teriam sido levados para fora da Venezuela por forças americanas. A operação, descrita por Washington como bem-sucedida, marca uma escalada sem precedentes na intervenção direta dos EUA na América Latina. 

O governo venezuelano, no entanto, rejeitou as alegações de submissão do líder e denunciou a ação como uma agressão militar estrangeira que viola a soberania do país, declarando estado de emergência e exigindo que os Estados Unidos apresentem prova de vida de Maduro e de sua esposa. Autoridades venezuelanas afirmaram ainda que não têm informação confirmada sobre o paradeiro do presidente após os ataques. 

Internamente, a Venezuela vive um quadro de grande tensão e incerteza institucional. Explosões relatadas em Caracas nas primeiras horas da manhã causaram pânico entre moradores e interrupções no fornecimento de energia em algumas áreas. 

Situação política imediata
Com a retirada anunciada de Maduro, não há, até o momento, declaração oficial de uma autoridade venezuelana reconhecida internacionalmente que assuma a presidência de forma clara e consensual. O governo de Maduro posicionou-se contra a narrativa americana e ainda não confirmou oficialmente onde o presidente se encontra. 

Segundo a lei venezuelana, em caso de ausência absoluta, incapacidade ou impedimento do presidente, a vice-presidência é a instituição que, em tese, deveria assumir interinamente o comando do país. No atual contexto, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, ocupa esse posto e poderia, constitucionalmente, ser quem assume a liderança provisória caso o governo venezuelano reconheça que Maduro está efetivamente fora do cargo. 

Possíveis desdobramentos e disputas de poder
Antes mesmo da atual crise, a oposição venezuelana contestava a legitimidade de Maduro, especialmente após eleições de 2024 consideradas fraudadas por observadores internacionais e pela própria oposição. Líderes oposicionistas, incluindo figuras que reivindicaram vitória naquele pleito, podem crescer em influência política neste momento de vácuo de poder. 

A ausência de uma autoridade claramente no comando cria espaço para disputas internas entre diferentes facções políticas, militares e civis, e aumenta o risco de conflitos ou desordem no curto prazo. O papel efetivo das Forças Armadas venezuelanas será crucial, já que, na prática, a estabilidade de qualquer governo interino provavelmente dependerá do apoio de setores importantes do aparato militar. 

Reações e contexto internacional
A ação dos Estados Unidos gerou forte reação de governos estrangeiros. Países da América Latina e outras nações criticaram a operação, classificando-a como violação de soberania. O Brasil, por exemplo, afirmou que os ataques ultrapassaram uma “linha inaceitável” e violaram princípios internacionais, convocando instâncias diplomáticas para análise e resposta ao episódio. 

O cenário internacional influencia diretamente as perspectivas de legitimidade de qualquer sucessor ou governo de transição na Venezuela, pois alianças e posições de países vizinhos e organizações globais podem afetar reconhecimentos diplomáticos e apoio material. 

Resumo do cenário no país
• A Venezuela enfrenta incerteza política e institucional profunda após os ataques dos EUA e a disputa sobre o paradeiro e a condição de Maduro. 

• A vice-presidência constitucionalmente poderia assumir provisoriamente, mas isso ainda não foi formalmente estabelecido de forma amplamente reconhecida. 

• A falta de clareza sobre liderança imediata abre espaço para disputas de poder internas, com potencial para conflitos políticos ou militares. 

• A resposta internacional e regional influenciará fortemente as próximas etapas políticas e diplomáticas. 


• A situação continua em rápida evolução, e novas informações podem alterar este quadro nas próximas horas.

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